A disputa pela Presidência da República ganhou novos capítulos na noite desta sexta-feira (23). Frente a frente no último debate da TV Globo antes do segundo turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram uma noite de embates intensos, críticas aos governos anteriores e promessas para os próximos quatro anos.

Mediado por César Tralli, o encontro reuniu discussões sobre os principais desafios enfrentados pela população brasileira. O ambiente, porém, foi além das diferenças políticas e contou com ataques pessoais entre os adversários.

Uma das maiores polêmicas da noite surgiu após Flávio Bolsonaro se referir a Lula como “nove dedos”. O presidente reagiu à provocação, explicou que perdeu um dedo enquanto trabalhava na adolescência e chamou o senador de “miliciano”. A troca de ofensas resultou em direito de resposta para Flávio.

Economia e dívidas no centro da disputa

O endividamento das famílias brasileiras ocupou parte importante do debate. Flávio responsabilizou o governo Lula pela perda do poder de compra e pelo aumento das dificuldades financeiras enfrentadas pela população.

O senador apresentou uma proposta para renegociar dívidas por meio da Caixa Econômica Federal, oferecendo prazos de carência de seis meses para pessoas físicas e um ano para empresas.

Lula contestou as críticas, destacou os resultados do Desenrola e afirmou que pretende ampliar as oportunidades de renegociação, inclusive com mecanismos capazes de proporcionar descontos de até 95% nos débitos.

Saúde pública provoca cobranças

O funcionamento do SUS também colocou os candidatos em posições opostas.

Lula questionou a viabilidade de melhorar a saúde pública com uma política de redução de despesas. Flávio criticou a demora para consultas, exames e cirurgias, afirmando que pretende combater desperdícios e direcionar recursos para melhorar o atendimento.

Após ser cobrado pelo presidente, o candidato do PL assegurou que pretende investir no sistema público de saúde.

Segurança gera confronto

Outro momento de tensão aconteceu durante a discussão sobre o combate às organizações criminosas.

Flávio defendeu medidas mais rígidas contra integrantes de facções, redução da maioridade penal e ampliação das punições para determinados crimes.

Lula respondeu questionando o histórico do adversário na política fluminense e defendeu investimentos nas forças de segurança, maior atuação da Polícia Federal e a criação de uma estrutura ministerial exclusiva para o setor.

Salário, aposentadoria e educação

Os presidenciáveis também discutiram reajustes salariais e benefícios previdenciários. Lula ressaltou a valorização do salário mínimo promovida pelos governos do PT, enquanto Flávio prometeu aumentos acima da inflação e criticou a carga tributária.

Na educação, o presidente defendeu a expansão das escolas de tempo integral e do Pé-de-Meia. O senador prometeu preservar o programa e ampliar iniciativas voltadas à formação tecnológica e à educação infantil.

A licença-maternidade também entrou na discussão. Questionado sobre seu voto contrário à ampliação do benefício no passado, Flávio reconheceu que sua posição havia sido equivocada.

Acusações marcam a reta final

No encerramento, os ataques se intensificaram. Lula e Flávio trocaram acusações relacionadas ao Banco Master, a empresários e a uma disputa envolvendo uma ilha associada ao atacante Richarlison.

As declarações foram contestadas pelos próprios candidatos e não devem ser tratadas como comprovação de irregularidades.

O debate terminou com Lula enfatizando programas sociais e realizações de seus governos, enquanto Flávio apostou nas críticas à economia e nas promessas de mudanças na segurança pública.

O confronto foi a última oportunidade de os dois candidatos se enfrentarem diretamente na televisão antes da decisão dos eleitores, no domingo (25).